The Department of Culture of Pernambuco, Fundarpe and the Publishing house CEPE announced the results of the 1st Pernambuco Prize for Literature. Registration in 36 cities in Pernambuco, spread across the four geographical regions of the State, totaled 192 entries. According to the assessment of the Coordinator of Literature of SECULT-PE, Wellington de Melo, the numbers demonstrate the importance of the award.
The big winner is from the Sertão: Bruno Guimarães Liberal, with the storybook “Olho Morto Amarelo”, receiving the R$ 20,000 prize. Other winners were Delmo Montenegro, with the book of poems “Recife, no hay”; Fenando Monteiro, with the novel “O Livro de Corintha”; Joseph Walter Moreira dos Santos, with the storybook “O metal de que somos feitos” and Jeilson José Ferreira da Silva, with the book of poems “Discursos e Anatomias”, receiving R$ 5,000 each. Everyone will receive a first edition made by CEPE.
There were two judging committees composed of writers, scholars and literary critics.
Winners – The results of the award reveal the diversity of literary production in the state. Among the winners are all genres – short stories, novels and poetry – and the works are from the four geographical regions, from cities like Petrolina, Recife, Passira and Vitoria de Santo Antao. “We were very pleased with the results, which show the high level of literary production in the state in all its regions,” said Ricardo Melo, Director of Production and Editing for CEPE.
The winners will have their books published this year by CEPE and participate, in return for the award, in activities within the Literature Secult-PE/Fundarpe schedule of events. Besides the five winners, fifteen other works received honorable mention and their authors will also be invited to perform activities within the Pernambuco Nação Cultural Festival. Check out the full list of winners.
Winners
Grand Prize (R$20,000)
“Olho morto amarelo”, Bruno Guimarães Liberal (Petrolina)
Prizes (R$5 mil)
“O livro de Corintha”, Fernando Antônio de Barros Monteiro (Recife)
“Recife, no hay”, Delmo Montenegro da Silva Júnior (Recife)
“O metal de que somos feitos”, José Walter Moreira dos Santos (Vitória de Santo Antão)
“Discursos e Anatomias”, Jeilson José Ferreira da Silva (Passira)
The Honorable Mentions came mostly from Recife, but also from Capoeiras, Paulista, Olinda, Serra Talhada and Surubim. - Source (PT)
The other day I read a really well-written short story with some great lines, written by Clarice, about her days as a child in Recife. She came up with the idea for the book of short stories when she was invited to write weekly for Jornal do Brasil in 1967. The resulting 25 tales turned into (what is considered to be) the most autobiographical book she wrote, principally due to the first-person narrative she uses throughout it.
I thought of translating it but I don’t think I’d do it justice so I’m just going to leave it here in its original. At the bottom is a short film based on the principal short story that gave the book its name.
Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme; enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.
Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como “data natalícia” e “saudade”.
Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.
Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.
Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.
Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.
No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.
Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.
E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.
Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.
Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler!
E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: “E você fica com o livro por quanto tempo quiser.” Entendem? Valia mais do que me dar o livro: “pelo tempo que eu quisesse” é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.
Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.
Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar… Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.
Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.
Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.
“Morte e Vida Severina” (translated in part by Elizabeth Bishop as “The Death and Life of Severino”), João Cabral de Melo Neto‘s most famous work, is a very long narrative poem (in most editions over 80 pages long) that describes the life of a poor rural man in the dry northeastern part (more specifically, Pernambuco) of Brazil.
This is a little tale written by Téta Barbosa here. Since it involves regional slang, I won’t be translating it. You can try deciphering it…or I can help you with some words.
Oitão – part of the yard that wraps around the sides of a house. Pirraia – someone who is small (ie, a child) Arrudiar – to go in circles or to go around Marretar – to steal small things Trancilin - a (gold) necklace
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Aí um jornalista gringo precisou vir ao Brasil fazer uma entrevista. Dedicado que só ele, passou uns meses estudando português com afinco. Pontuação, conjugação de verbos, pronomes pessoais e impessoais. Desceu do avião e foi direto para casa do entrevistado na Encruzilhada.
- Dim, dom.
De lá de dentro gritou o mangue boy:
- Arrudeia !
- (Cri, cri,cri).
E essa foi justamente a vingança de Rosinha, pernambucana da gema. A moça é diretora de arte MacGyver (pega uma liga, um chiclete, um clips e transforma num cenário da Tok Stock) e morou anos fora. Durante sua temporada em terras estrangeiras (leia-se; Rio de Janeiro), cansada de sofrer bullyin por falar “visse”, ela disse para sua amiga carioca:
- Menina, tu soube? O pirraia marretou um trancilin e arrudiou pelo oitão da igreja.
- Oi?
(minha gente)
Moral da história: Keep Calm e arrudeia porque oitão não é um oito grande!
“I grew up in Recife, and I think that living in the Northeast or the North of Brazil is to live more intensely and closer to the real life of a Brazilian..”
The famous Ukrainian-Brazilian author Clarice Lispector spent almost her entire childhood in Recife. In 1924, at 3 or 4 years of age, she moved with her family to the Pernambucan capital and they stayed there until she was 17. They lived on the second floor of a mansion in front of the Maciel Pinheiro Plaza, in what is currently Boa Vista and which was known, at the time, as the Jewish neighborhood.
Over at Recife Guide, there’s a post on a nice-looking little guide to Recife which is available as a bilingual edition (English & Portuguese). The guide is from Recife No Bolso, titled Mercados do Recife (Recife Markets) and goes for R$35. What you get is 120 colored pages, including 50 photographs. Looks like a good idea for a gift but if markets aren’t your thing, they have 3 more little guides on other aspects of Recife on the way.
As for how to purchase it, I’m not entirely sure although I’m sure you can shoot over an email (recife at recifenobolso.com) to the company where they ask you to write if you want more info.
If interested in further information about Recife markets, there’s always the gov’t site’s page on the subject (in PT).
The other day, I saw a good post on The Good Blood about Cordel Literature and today when I was browsing the online version of the Brazilian magazine Bravo, I came across a section called “Our Bet” (in PT) in which they bet on who or what will be successful in the near future. For April of 2009, they put their bet on William Paiva, a Recifense (from Recife) who is an animator that has used cordel in his work.
His first full animation (below, in PT) has won awards all over Brazil and is titled “O Jumento Santo e a cidade que se acabou antes de começar” (The Donkey Saint and the city that ended before it began). It’s basically a Brazilian version of the creation story, but here’s a short description from Bravo.
“O (jumento) santo nasce (de uma vaca maculada pelo anjo Gabriel) como uma solução para contornar a desobediência de homem e mulher, que comeram do fruto proibido (o caju) e transformaram o mundo em uma grande bagunça, para alegria de um demônio (lagartixa) e rebuliço entre anjos (de asas borboleteantes).”
“The (donkey) saint is born (from a spotted cow from the angel Gabriel) as a solution to bypass the disobedience of man and woman, who ate the forbidden fruit (the cashew fruit) and transformed the world into a big mess, all to the pleasure of the demon (lizard) and to the uproar of the angels (with butterfly wings).”